quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Vídeos possibilitam uma gostosa viagem a um passado recente dos transportes


onibus
Nielson Diplomata foi um dos modelos que marcaram as paisagens da história recente das rodoviárias e estradas de todo o Brasil e até mesmo de outros países. Dos anos de 1980 e 1990 para cá, a evolução foi grande, mas os veículos já eram bastante avançados e possuíam um charme especial que marcou o dia a dia de milhões de pessoas ao longo do tempo.
Vídeos trazem um verdadeiro desfile da história recente dos transportes
A evolução da indústria de ônibus fica clara na comparação entre os modelos dos anos 1980/1990, mas décadas tinham veículos com um charme especial e já bastante avançados
ADAMO BAZANI – CBN
Obviamente que não dá para parar no tempo. Tudo precisa evoluir, ainda mais num setor que lida diretamente com o dia a dia das pessoas, como o de transportes de passageiros. Afinal, o homem evolui.
No entanto, o passado nunca deve ser esquecido. Foi através dos fatos passados que chegamos onde estados e os entendendo melhor, podemos construir um futuro próximo ao que queremos.
A história dos transportes é uma das mais ricas do País. Revela o cotidiano das pessoas, as fases políticas e econômicas, os desenvolvimentos ou mesmo retrocessos regionais e também como a indústria de ônibus se desenvolveu.
Relíquias de um passado recente podem ser encontradas na internet pelos vídeos feitos pelo admirador “Paulinho Rio”.
Filmados entre 1996 e 1997, na rodoviária de Londrina, mostram com o eram os ônibus feitos entre os anos de 1980 e a data das gravações.
A indústria de ônibus de lá para cá evoluiu sem dúvida. Hoje os veículos são mais acessíveis para portadores de necessidades especiais, menos poluentes, as poltronas mais ergonômicas, mas os modelos da época já eram evoluídos. Aliás, a indústria de ônibus tem várias fases, desde a fabricação das jardineiras nos anos de 1920 até hoje. Os anos de 1980, retratados em parte pelos vídeos, representaram mais uma fase de avanço: os monoblocos (ônibus integrais) se modernizaram, as carrocerias ganhavam em design e resistência, a suspensão a ar, os veículos de três eixos, os serviços leitos, tudo isso que já existia foi aperfeiçoado e consolidado.
Além disso, vale ressaltar, “a paisagem” das rodoviárias era menos monótona, com uma diversidade maior de modelos, empresas, pinturas e os roncos possantes dos veículos.
Confira Monoblocos, as primeiras gerações do Paradiso, os lendários Diplomatas da Nielson e os veículos urbanos.
Os vídeos são de conhecimento de muita gente, mas para quem ainda não viu o mesmo deseja relembrar uma época importante da evolução dos transportes e das cidades, o material é muito bom.
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Os que dizem que a expansão de outros modais vai colocar em segundo plano a importância dos ônibus, ou não possuem conhecimento ou o fazem por interesse de marketing político. O ônibus, na verdade, sempre vai atender às necessidades da população e por suas características únicas de flexibilidade, quando um outro meio de transporte evolui, aí é que o ônibus se torna essencial. Foto: Trolebus na Favela da Catatumba, no Rio de Janeiro, em 1964. Acervo: Marcelo Almirante.
Ônibus: um meio de transportes que nunca vai acabar
Flexibilidade e baixo custo para implantação dos serviços são alguns dos pontos que provam que esse meio de transporte sempre vai servir à população e que se torna ainda mais importante co m a expansão de outros modais
ADAMO BAZANI – CBN
Quando se fala em novos modais de transportes e na expansão dos serviços ferroviários urbanos, muitos, por desconhecimento ou puro oportunismo de marketing político, dizem que em breve boa parte dos serviços de ônibus em diversas cidades será extinta ou se tornará obsoleta.
Há ainda os que classificam o ônibus como um meio de transporte ultrapassado, mesmo em corredores exclusivos.
O fato é que discursos como estes servem apenas para confundir a população e criar em algumas figuras públicas a falsa imagem de “inovadores”, “paladinos do progresso e da modernização”.
Os especialistas e profissionais que defendem a utilização de ônibus, a instalação de corredores exclusivos do tipo BRT e o estímulo a este meio de transportes, ao contrário do que muitos pensam, não são em hipótese nenhuma contra a ampliação das malhas ferroviárias.
Pelo contrário, têm a consciência plena de que hoje em dia, muitas demandas só serão satisfatoriamente atendidas por sistemas de grande porte como o metrô (metrô de fato, é bom destacar).
Mas tais estudiosos sabem também que há demandas que só podem ser atendidas pelos ônibus.
As razões são várias. Primeiro porque o ônibus, seja convencional, midi ou em alguns só micro mesmo, chega aonde o trilho jamais conseguiria, por mais avançados que sejam hoje os processos de engenharia. Quando se fala em mobilidade urbana, logo o fascínio pelas metrópoles é despertado. Mas o país tem dimensões de continente e cidades de todos os tipos, relevos, topografias e até condições climáticas. Para todas essas situações, há um ônibus apropriado. E até mesmo nas chamadas metrópoles, as realidades mudam em questões de poucos quilômetros percorridos.
Outro fato importante é a realidade financeira das cidades. Nem todas têm condições de implantar em tempo rápido um modal metroferroviário. Os sistemas de corredores de ônibus segregados, como os modernos BRTs – Bus Rapid Transit, ou mesmo corredores expressos simples, têm se revelado formas eficientes e economicamente responsáveis de melhorar e agilizar os transportes para os cidadãos.
Além disso, o ônibus é extremante flexível. Isso a história dos transportes coletivos mostra. É o único meio que consegue atender de maneira rápida ao crescimento populacional e econômico de várias regiões. Quantas vezes um investimento público ou privado repentinamente tornou um bairro, vila ou cidade interessante e provocou de forma imediata crescimento da população local. Nem sempre havia tempo de projetar e implantar uma ferrovia, mas o ônibus já estava lá atendendo à demanda. Depois é que seria possível analisar se o ônibus continuaria dando conta ou se seria interessante investir também em outro modal.
As cidades são dinâmicas e muitas vezes mudam seus perfis econômicos e de ocupação. Quantas áreas eram majoritariamente industriais e por motivos macroeconômicos ou mesmo políticos mudavam as suas características para, por exemplo, o setor de serviços. Foi o que ocorreu com o ABC Paulista, cuja cidade de Santo André, tem uma via chamada Industrial, por causa das fábricas e que hoje praticamente não tem nenhuma indústria. O ônibus consegue ter suas linhas e serviços adequados para cada realidade nova que exige perfis de deslocamentos diferentes
Nos anos de 1970, quando o Metrô de São Paulo foi implantado (tardiamente, é bom frisar), muitos diziam que seria o fim de boa parte dos serviços de ônibus na maior cidade da América Latina.
Que nada. O que houve foi apenas uma readequação dos serviços de ônibus. E mais, a história mostra que quanto mais se investe em modal metroferroviário, mais o ônibus ganha importância. Afinal, as pessoas precisam chegar de maneira eficiente a um transportes de grande demanda também eficiente.
Por isso que todo investimento em linhas de trens e metrô deve vir acompanhado de investimentos para a modernização e melhor operação dos sistemas de ônibus. Afinal, um meio de transporte complementa o outro.
Assim, o ônibus sempre será essencial em qualquer cidade, independentemente do porte do município. O papel não apenas econômico, mas social e de integração do ônibus, unindo pessoas e dando acesso aos serviços básicos, jamais será anulado e sempre estará a serviço da população.

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